Texto partilhado por uma amiga que achei curioso (Obrigada Maria João Acúrcio)
Li agora este texto de uma italiana e o achei muito curioso.
«Hoje quero ensinar-lhe uma expressão italiana curiosa: “fare il portoghese” (ou “fare alla portoghese”). É bastante usada em Itália, de onde sou e de onde vim para estudar em Lisboa e, agora, estagiar na Mensagem de Lisboa. Quer dizer: "fazer à português". Mas porquê?
É sobretudo usada no centro e no sul de Itália e não tem nada a ver com comer muitos pastéis de nata ou ouvir fado. Em Itália, “fare il portoghese” significa entrar num evento pago — como um cinema, um teatro, uma festa ou um estádio — sem pagar bilhete.
A expressão está tão enraizada no vocabulário italiano que na Treccani (o equivalente à vossa Infopédia, o dicionário online da Porto Editora) já como segundo significado da palavra “portoghese” (“português”), surge esta pérola:
“Quem, graças a favoritismos ou a expedientes, consegue entrar num teatro, num cinema, num estádio ou noutro qualquer espaço público de espetáculo sem pagar o bilhete de entrada.”.
E dá até um exemplo bastante elucidativo: “ontem à noite, no teatro, não faltavam os habituais ‘portugueses’.”
Felizmente, a primeira definição é ainda a clássica de “habitante ou cidadão de Portugal”.
Sempre achei esta expressão um pouco estranha, especialmente quando vejo as longas filas nas estações de metro para validar o cartão Navegante, ou os passageiros dos autocarros de Lisboa que, ordeiramente, cumprimentam o motorista e mostram o seu bilhete.
Nos meus anos de vida em terras lusitanas, nunca pensei que os portugueses fossem um povo que se esquiva a pagar o bilhete — certamente não tanto como os italianos.
Por isso, decidi investigar a origem desta expressão.
Ao que tudo indica, no século XVIII, numa época de grande prosperidade da economia portuguesa graças ao ouro vindo do Brasil, o rei D. João V pediu à embaixada portuguesa em Roma que organizasse um espetáculo no Teatro Argentina. O evento destinava-se à comunidade portuguesa residente na cidade, que foi convidada a assistir gratuitamente. Os italianos, rápidos de pensamento (e de ação), aproveitaram a oportunidade e fizeram-se passar por portugueses para entrar sem pagar.
Só os italianos seriam capazes de uma coisa destas… e ainda por cima aproveitar a deixa para que um povo inteiro (os portugueses) — que não fez absolutamente nada — ficasse com má fama. Em nome deles: peço, desde já, desculpa, vizinho/a!
E, como sua italiana de confiança, deixo o desafio: que tal inverter os papéis e começar a dizer “fazer à italiana” quando não pagar o bilhete?
Até breve.

Comentários
Enviar um comentário